A Arte de ser Poeta
O poeta é deveras um sonhador. Outros afirmam que é um fingidor. Quem pode saber a verdade? O certo é que ele consegue abstrair-se da realidade concreta e voar em seus pensamentos pelos mais longínquos lugares. Junta as palavras, separa-as, embaralha-as, seleciona-as para demonstrar emoção, dor, alegria, tristeza, sofrimento... As idéias vão se reunindo como mosaicos que se juntam para representar o desenho que pode emocionar quem vê.
Há pensamentos expressos na tessitura dos poemas que facultam ao leitor se apropriar e se identificar com o texto. Surge, de repente, uma troca espontânea, uma verdadeira simbiose. Às vezes, essa intimidade os aproxima no compasso das palavras que conjugam um verbo dolorido, sofrido, naquele momento, ou sentimentos e emoções positivas que lhe dão alento. O sentimento dito com uma carga de emoção, de forma própria, diferente, metafórica, conduz a caminhos e travessias conhecidas ou não, mas que tocam profundamente no íntimo de quem se delicia com a leitura.
Geralmente, os poetas conseguem imprimir no seu texto uma carga emocional que reflete a condição psicológica do instante presente. Joga com os vocábulos tentando buscar sentido ou a palavra certa para expor o pensamento que toma conta de seu cérebro, comandado pelo coração.
Não acredito em poesia por encomenda, porque para escrever um poema tem que se ter sentimento, sensibilidade, além de trabalhar a idéia, burilá-la, misturando emoção e razão para traduzir todo o encantamento que invade a alma naquela ocasião.
Sonhos, desejos, melancolia são, quase sempre, ferramentas que desencadeiam cascatas de emoções e palavras que se conectam e vão construindo uma poesia mais intimista, ditada pela subjetividade e introspecção. Todavia, ela pode apresentar o lado bom da vida, com tom colorido em todas as nuances possíveis.
O grande poeta contemporâneo Ferreira Gullar fala o seguinte: “Escrevo para ser feliz, para me libertar do sofrimento, não para sofrer. É a alquimia da dor em alegria estética. Mesmo quando a coisa é doída, amarga, naquele momento a transformo no ouro que é o poema”.
Vê-se, portanto, que ser poeta é uma arte. Arte essa onde o artista dispõe com beleza seu poema, traduzindo o estado da alma, através de uma metamorfose de idéias e de palavras carregadas de sentimento.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
SAUDADES DO MEU PAI
O mês de agosto não acho muito simpático. Devo ter sido influenciada pelo o que diz a sabedoria popular: “agosto mês do desgosto”... Não acredito piamente nessa assertiva porque, em qualquer mês do ano, ocorrem fatos bons e ruins para toda a humanidade. No entanto, por incrível que pareça, tenho motivos para comemorar. Meus irmãos – o primogênito e o caçula nasceram em pleno luar de agosto. São pessoas que representam uma importância fundamental na minha vida. Amigos, companheiros, probos de caráter, íntegros na melhor acepção da palavra. Muito me orgulha ter laços sanguíneos e proximidade afetiva com ambos.
Outro motivo de alegria é a Homenagem aos Pais, que se realiza no segundo domingo do mês em questão. Apesar de não ter mais meu pai junto de mim, tenho uma saudade imensa do Ser Humano que fez parte da minha história. Meu pai era uma pessoa especial em todos os sentidos. Amava a família acima de tudo. Queria sempre o melhor para os filhos. Não tinha vaidades, mas gostava que seus filhos tivessem uma boa educação doméstica, bem como excelente formação e preparo intelectual. Valorizava o estudo e nos incentivava a atingir os nossos objetivos e desejos. Ensinava-nos a correr atrás dos nossos sonhos, sem derrubar ninguém. Lutar pelo que acreditávamos.
Lembro-me bem, quando dizia de cor poemas dos grandes poetas brasileiros: Castro Alves, Raimundo Correia, Padre Antônio Tomás, Gonçalves Dias, dentre outros. Seus olhos brilhavam recitando peças de autores da literatura nacional, com tanta expressividade. Parece que queria nos motivar à leitura e mostrar que a arte faz parte da vida do Homem. Quantas vezes ele me surpreendia cantando baixinho: “Conceição/ Eu me lembro muito bem/ Vivia no morro a sonhar/ Com coisas que o morro não tem”. Nesse instante, minha memória afetiva resgata sua voz calma e seu jeitinho de cantar passando a mão na cabeça. Em outras ocasiões, ele balbuciava músicas próprias do sertanejo: “Eh! boiadeiro que a noite já vem/ Leva o teu gado e vai pra junto do teu bem”. Era uma pessoa curiosa. O Hino Nacional da França ouvi, pela primeira vez, da sua boca: “Allons enfants / De la Patrie”/ Le jour de glorie est arrivé/. Ficava impressionada! Na minha inocência de criança, não podia acreditar que ele soubesse um hino de um país tão distante.
Não era um intelectual. Teve poucos anos na escola, todavia lia jornais, revistas, livros, as famosas Seleções que na época eram muito apreciadas. Sua admiração pela política ele não escondia. Ainda muito jovem experimentou o ofício, como vereador, e logo veio a se decepcionar. A lógica da política não combinava com sua lógica, (se é que existe), seus princípios e valores morais, éticos. Saiu do palco, mas gostava de assistir as peças que a política do interior encenava. Sempre respeitou as opiniões dos amigos partidários.
Seu maior ideal era o trabalho e o amor à família. Exigia dos filhos obediência, respeito, dedicação aos estudos e, em troca, nos proporcionava dentro das suas possibilidades, como comerciante e fazendeiro, as melhores oportunidades para o crescimento integral.
Ah! Como o tempo passa rápido e deixa no peito marcas profundas! A saudade é um sentimento que envolve a alma e deixa cicatrizes. O amor paterno amoroso, duradouro, fincou nas entranhas do meu ser e, nem a morte nos separou. Sua ausência é uma eterna presença no meu cotidiano. Quando tomo as mais simples decisões recordo imediatamente do seu bom senso, de como reagiria naquele instante. Sua memória será sempre lembrada e reverenciada pelos filhos, netos e bisnetos.
O mês de agosto não acho muito simpático. Devo ter sido influenciada pelo o que diz a sabedoria popular: “agosto mês do desgosto”... Não acredito piamente nessa assertiva porque, em qualquer mês do ano, ocorrem fatos bons e ruins para toda a humanidade. No entanto, por incrível que pareça, tenho motivos para comemorar. Meus irmãos – o primogênito e o caçula nasceram em pleno luar de agosto. São pessoas que representam uma importância fundamental na minha vida. Amigos, companheiros, probos de caráter, íntegros na melhor acepção da palavra. Muito me orgulha ter laços sanguíneos e proximidade afetiva com ambos.
Outro motivo de alegria é a Homenagem aos Pais, que se realiza no segundo domingo do mês em questão. Apesar de não ter mais meu pai junto de mim, tenho uma saudade imensa do Ser Humano que fez parte da minha história. Meu pai era uma pessoa especial em todos os sentidos. Amava a família acima de tudo. Queria sempre o melhor para os filhos. Não tinha vaidades, mas gostava que seus filhos tivessem uma boa educação doméstica, bem como excelente formação e preparo intelectual. Valorizava o estudo e nos incentivava a atingir os nossos objetivos e desejos. Ensinava-nos a correr atrás dos nossos sonhos, sem derrubar ninguém. Lutar pelo que acreditávamos.
Lembro-me bem, quando dizia de cor poemas dos grandes poetas brasileiros: Castro Alves, Raimundo Correia, Padre Antônio Tomás, Gonçalves Dias, dentre outros. Seus olhos brilhavam recitando peças de autores da literatura nacional, com tanta expressividade. Parece que queria nos motivar à leitura e mostrar que a arte faz parte da vida do Homem. Quantas vezes ele me surpreendia cantando baixinho: “Conceição/ Eu me lembro muito bem/ Vivia no morro a sonhar/ Com coisas que o morro não tem”. Nesse instante, minha memória afetiva resgata sua voz calma e seu jeitinho de cantar passando a mão na cabeça. Em outras ocasiões, ele balbuciava músicas próprias do sertanejo: “Eh! boiadeiro que a noite já vem/ Leva o teu gado e vai pra junto do teu bem”. Era uma pessoa curiosa. O Hino Nacional da França ouvi, pela primeira vez, da sua boca: “Allons enfants / De la Patrie”/ Le jour de glorie est arrivé/. Ficava impressionada! Na minha inocência de criança, não podia acreditar que ele soubesse um hino de um país tão distante.
Não era um intelectual. Teve poucos anos na escola, todavia lia jornais, revistas, livros, as famosas Seleções que na época eram muito apreciadas. Sua admiração pela política ele não escondia. Ainda muito jovem experimentou o ofício, como vereador, e logo veio a se decepcionar. A lógica da política não combinava com sua lógica, (se é que existe), seus princípios e valores morais, éticos. Saiu do palco, mas gostava de assistir as peças que a política do interior encenava. Sempre respeitou as opiniões dos amigos partidários.
Seu maior ideal era o trabalho e o amor à família. Exigia dos filhos obediência, respeito, dedicação aos estudos e, em troca, nos proporcionava dentro das suas possibilidades, como comerciante e fazendeiro, as melhores oportunidades para o crescimento integral.
Ah! Como o tempo passa rápido e deixa no peito marcas profundas! A saudade é um sentimento que envolve a alma e deixa cicatrizes. O amor paterno amoroso, duradouro, fincou nas entranhas do meu ser e, nem a morte nos separou. Sua ausência é uma eterna presença no meu cotidiano. Quando tomo as mais simples decisões recordo imediatamente do seu bom senso, de como reagiria naquele instante. Sua memória será sempre lembrada e reverenciada pelos filhos, netos e bisnetos.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
NAVE VELOZ
Nave que cruza o espaço
E seu brilho ofusca no ar,
Pega a lua com um só laço
E me traz para louvar.
Nave que cruza o espaço
Ágil e leve sobe depressa,
Vai buscar o sol num abraço
Pois nunca mais vou ter pressa.
Nave que cruza o espaço
Com a velocidade da luz,
Me pega então pelo braço
E às estrelas me conduz.
Nave que cruza o espaço
Ave! Canta a mesma canção,
E grita como cordas de aço
Para meu sofrido coração.
Nave que cruza o espaço
E seu brilho ofusca no ar,
Pega a lua com um só laço
E me traz para louvar.
Nave que cruza o espaço
Ágil e leve sobe depressa,
Vai buscar o sol num abraço
Pois nunca mais vou ter pressa.
Nave que cruza o espaço
Com a velocidade da luz,
Me pega então pelo braço
E às estrelas me conduz.
Nave que cruza o espaço
Ave! Canta a mesma canção,
E grita como cordas de aço
Para meu sofrido coração.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
COLIBRI
O colibri, de cima do galho, riu de mim.
Olhou-me com certa ironia.
Mal sabia ele, que enfim,
A felicidade agora me sorria.
Tentei assustá-lo do galho
Mas seu olhar me perseguia,
E meu ato intempestivo, falho
O fez encarar minha alegria.
O pássaro resolveu voar bem alto
E eu parti com ele pelos ares,
Alcancei a distância e incauta
Sobrevoei as águas claras dos mares.
A viagem não durou muito tempo,
Caí na tempestade de ilusões,
Confusa, fechei-me ao som do vento
E acabei ouvindo as mais belas canções.
Por que o colibri me deixou atônita,
Foi seu olhar que me seduziu?
Ou porque aquela canção ao vento saltita,
No meu peito que ele mesmo ungiu.
O colibri, de cima do galho, riu de mim.
Olhou-me com certa ironia.
Mal sabia ele, que enfim,
A felicidade agora me sorria.
Tentei assustá-lo do galho
Mas seu olhar me perseguia,
E meu ato intempestivo, falho
O fez encarar minha alegria.
O pássaro resolveu voar bem alto
E eu parti com ele pelos ares,
Alcancei a distância e incauta
Sobrevoei as águas claras dos mares.
A viagem não durou muito tempo,
Caí na tempestade de ilusões,
Confusa, fechei-me ao som do vento
E acabei ouvindo as mais belas canções.
Por que o colibri me deixou atônita,
Foi seu olhar que me seduziu?
Ou porque aquela canção ao vento saltita,
No meu peito que ele mesmo ungiu.
terça-feira, 28 de junho de 2011
MÚSICA DE UMA GERAÇÃO
Agora mesmo me surpreendo cantarolando: “E por falar em saudade/ Onde anda você/ Onde andam seus olhos/ Que a gente não vê/ Onde anda esse corpo/ Que me deixa louca/ De tanto prazer” (Vinícius de Moraes/Hermano Silva e Toquinho)... Por que será que esta canção me veio à cabeça involuntariamente? Lembro-me, agora, Maria Creusa, cantora baiana, cantando com sua voz suave e melodiosa, nas décadas de 60 ou 70. Época em que no país surgiram as mais belas músicas de compositores como Tom Jobim, Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Gilberto Gil e de alguns outros.
A produção musical dos autores citados marcou um tempo importante de mudanças sociais e de comportamento no Brasil. As letras tinham conteúdo, beleza, complexidade e profundidade. As melodias não ficavam atrás. Tinham significados que enlevavam a alma e os corações enamorados. A safra de cantores e compositores foi bastante generosa. Eles ainda estão no páreo, mas com uma produção escassa que não atende às necessidades de mercado.
Não me considero uma pessoa saudosista, embora aprecie, de vez em quando, retomar o passado, mas com objetivo de alinhar melhor o futuro. Também é bom salientar que vivo mais o presente com todas as suas nuances, porque o aqui e o agora me interessam.
Que tipo de música a gente escuta hoje? Uma música cujo objetivo é vender milhares e milhares de CDs e DVDs. Ouvimos o axé, a música religiosa, sertaneja, rap, forró, dentre outros ritmos sem muita expressão. As letras são, na maioria das vezes, pobres, sem essência e substância. O que se pretende é que as pessoas joguem as mãos para cima e mexam o corpo com frenesi.
Minha geração teve mais sorte nesse particular. O romantismo era cantado em prosa e verso, com um colorido multifacetado que dava margem para sonhos e fantasias ao se embalar nessas músicas. Não se tratava de alienação porque as letras e palavras transmitiam sentimentos puros e idéias relevantes.
E agora relembro: “Naquele bairro afastado/ Onde eu criança vivia/ A remoer melodias/ Numa ternura sem par/ Passava todas as tardes/ Um realejo risonho/ Passava como num sonho/ Um realejo a tocar.../ (Custódio Mesquita e Sadi Cabral).
“O meu amor tem um jeito manso que é só seu/ E que me deixa louca quando me beija a boca/ A minha pele toda fica arrepiada/ E me beija com calma e fundo/ Até minh'alma se sentir beijada” (Chico Buarque)
Você percebe o nível de criatividade, romantismo e elegância da canção acima.
Vejamos uma amostra do axé baiano: “Dói um tapinha não dói” (Tapinha); ou essa outra:
“Beijo na boca é coisa do passado/ A moda agora é/ Enamorar pelado “ (Beijo na Boca)
Que diferença! Parece que agora a ternura, o amor, o sentimento inexistem e a grosseria impera. Será se estou equivocada? Tire suas próprias conclusões...
Agora mesmo me surpreendo cantarolando: “E por falar em saudade/ Onde anda você/ Onde andam seus olhos/ Que a gente não vê/ Onde anda esse corpo/ Que me deixa louca/ De tanto prazer” (Vinícius de Moraes/Hermano Silva e Toquinho)... Por que será que esta canção me veio à cabeça involuntariamente? Lembro-me, agora, Maria Creusa, cantora baiana, cantando com sua voz suave e melodiosa, nas décadas de 60 ou 70. Época em que no país surgiram as mais belas músicas de compositores como Tom Jobim, Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Gilberto Gil e de alguns outros.
A produção musical dos autores citados marcou um tempo importante de mudanças sociais e de comportamento no Brasil. As letras tinham conteúdo, beleza, complexidade e profundidade. As melodias não ficavam atrás. Tinham significados que enlevavam a alma e os corações enamorados. A safra de cantores e compositores foi bastante generosa. Eles ainda estão no páreo, mas com uma produção escassa que não atende às necessidades de mercado.
Não me considero uma pessoa saudosista, embora aprecie, de vez em quando, retomar o passado, mas com objetivo de alinhar melhor o futuro. Também é bom salientar que vivo mais o presente com todas as suas nuances, porque o aqui e o agora me interessam.
Que tipo de música a gente escuta hoje? Uma música cujo objetivo é vender milhares e milhares de CDs e DVDs. Ouvimos o axé, a música religiosa, sertaneja, rap, forró, dentre outros ritmos sem muita expressão. As letras são, na maioria das vezes, pobres, sem essência e substância. O que se pretende é que as pessoas joguem as mãos para cima e mexam o corpo com frenesi.
Minha geração teve mais sorte nesse particular. O romantismo era cantado em prosa e verso, com um colorido multifacetado que dava margem para sonhos e fantasias ao se embalar nessas músicas. Não se tratava de alienação porque as letras e palavras transmitiam sentimentos puros e idéias relevantes.
E agora relembro: “Naquele bairro afastado/ Onde eu criança vivia/ A remoer melodias/ Numa ternura sem par/ Passava todas as tardes/ Um realejo risonho/ Passava como num sonho/ Um realejo a tocar.../ (Custódio Mesquita e Sadi Cabral).
“O meu amor tem um jeito manso que é só seu/ E que me deixa louca quando me beija a boca/ A minha pele toda fica arrepiada/ E me beija com calma e fundo/ Até minh'alma se sentir beijada” (Chico Buarque)
Você percebe o nível de criatividade, romantismo e elegância da canção acima.
Vejamos uma amostra do axé baiano: “Dói um tapinha não dói” (Tapinha); ou essa outra:
“Beijo na boca é coisa do passado/ A moda agora é/ Enamorar pelado “ (Beijo na Boca)
Que diferença! Parece que agora a ternura, o amor, o sentimento inexistem e a grosseria impera. Será se estou equivocada? Tire suas próprias conclusões...
quinta-feira, 23 de junho de 2011
RECORDAÇÕES DE TEMPOS VIVIDOS
Estamos caminhando para o final do mês de junho. A mídia se encarrega de mostrar a alegria reinante nas festas juninas espalhadas por todo o nordeste. Não consigo sintonizar com toda essa animação. Parece que estou flutuando no ar... Fico imaginando em outras épocas, em que estas festas me enchiam de prazer. Nunca fui de dançar quadrilha, mas adorava assisti-la e me divertia muito.
Hoje, já não sinto vontade de participar de tal evento. O tempo passou e eu mudei. Talvez porque não tenha mais junto de mim, pessoa da minha família que, como eu, adorava as comemorações e, agora, se encontra em outro plano.
Lembro que minha mãe vibrava com a festa dos seus Santos prediletos: Antônio, João e Pedro. Para cada um tinha sua devoção especial. Era também o mês de seu aniversário, exatamente no dia 29 de junho – Dia de São Pedro.
Como ela gostava de receber os filhos, netos, genros e nora! Não que houvesse festa, no entanto, era um momento de reunir a família. Isso já lhe trazia uma enorme satisfação. Quando íamos para a casa de praia de minha irmã para comemorar essa data, ela ficava radiante. Ouvia as músicas em volta da fogueira, frente à mesa farta de comida e bebida. Virava criança! Queria provar das comidas típicas, nem que fosse um pouquinho. Mamãe era uma figura! Se estivesse com os filhos próximos sentia-se regozijada, nada lhe dava mais prazer e alegria do que estar com sua prole. Como quase todas as mães era muito apegada a todos nós.
Quando casei, mamãe custou a se conformar, pois achava que eu ia ficar solteirona sob sua proteção. Ela sempre foi insegura, carente, precisava a todo o momento que os filhos estivessem por perto. Mal sabia que ela é que era o nosso Porto Seguro...
Por isso, neste mês, fico a me perguntar por que não consigo me motivar para os festejos. Como diz o ditado popular: “O coração tem razões que a própria razão desconhece”. Talvez haja uma explicação plausível, porém ainda não pude atinar toda a complexidade.
Dia de São Pedro vou meditar sobre a vida desta senhora que viveu quase 90 anos, plena de alegria e curiosidade por tudo que a cercava. Quem sabe, se lá onde se encontra não esteja em festejos com toda a corte celeste! Pois, agora, lembrando sua imagem, vejo-a iluminada, com um sorriso tímido nos lábios, abrindo os braços para enlaçar todos nós, seus filhos, com afeto e muito amor. Este gesto e o seu olhar diziam-nos coisas do infinito, dada a sua sabedoria e perspicácia.
Minha memória afetiva está presa a lembranças de um passado que teima em não me deixar...
Estamos caminhando para o final do mês de junho. A mídia se encarrega de mostrar a alegria reinante nas festas juninas espalhadas por todo o nordeste. Não consigo sintonizar com toda essa animação. Parece que estou flutuando no ar... Fico imaginando em outras épocas, em que estas festas me enchiam de prazer. Nunca fui de dançar quadrilha, mas adorava assisti-la e me divertia muito.
Hoje, já não sinto vontade de participar de tal evento. O tempo passou e eu mudei. Talvez porque não tenha mais junto de mim, pessoa da minha família que, como eu, adorava as comemorações e, agora, se encontra em outro plano.
Lembro que minha mãe vibrava com a festa dos seus Santos prediletos: Antônio, João e Pedro. Para cada um tinha sua devoção especial. Era também o mês de seu aniversário, exatamente no dia 29 de junho – Dia de São Pedro.
Como ela gostava de receber os filhos, netos, genros e nora! Não que houvesse festa, no entanto, era um momento de reunir a família. Isso já lhe trazia uma enorme satisfação. Quando íamos para a casa de praia de minha irmã para comemorar essa data, ela ficava radiante. Ouvia as músicas em volta da fogueira, frente à mesa farta de comida e bebida. Virava criança! Queria provar das comidas típicas, nem que fosse um pouquinho. Mamãe era uma figura! Se estivesse com os filhos próximos sentia-se regozijada, nada lhe dava mais prazer e alegria do que estar com sua prole. Como quase todas as mães era muito apegada a todos nós.
Quando casei, mamãe custou a se conformar, pois achava que eu ia ficar solteirona sob sua proteção. Ela sempre foi insegura, carente, precisava a todo o momento que os filhos estivessem por perto. Mal sabia que ela é que era o nosso Porto Seguro...
Por isso, neste mês, fico a me perguntar por que não consigo me motivar para os festejos. Como diz o ditado popular: “O coração tem razões que a própria razão desconhece”. Talvez haja uma explicação plausível, porém ainda não pude atinar toda a complexidade.
Dia de São Pedro vou meditar sobre a vida desta senhora que viveu quase 90 anos, plena de alegria e curiosidade por tudo que a cercava. Quem sabe, se lá onde se encontra não esteja em festejos com toda a corte celeste! Pois, agora, lembrando sua imagem, vejo-a iluminada, com um sorriso tímido nos lábios, abrindo os braços para enlaçar todos nós, seus filhos, com afeto e muito amor. Este gesto e o seu olhar diziam-nos coisas do infinito, dada a sua sabedoria e perspicácia.
Minha memória afetiva está presa a lembranças de um passado que teima em não me deixar...
A FINITUDE DO HOMEM
A morte é solitária... A gente nasce e morre sozinho... Não sei se estas assertivas se conjugam como verdade! De certa forma, sim, mas não na sua totalidade.
O ser humano passa a vida pensando que sua existência é infinita. Vive-se o presente, lembra-se do passado, mas para o futuro não se pensa na possibilidade da morte, pelo menos a curto ou médio prazo. Procura-se, então, não refletir sobre a finitude do homem. Não há tempo para se debruçar sobre a fugacidade da matéria, sobre os mistérios da existência.
A palavra “morte” tem carga muito pesada. Em seu bojo se esconde a perda, a tristeza, a dor, o sofrimento, enfim, tudo o que ninguém quer para si. O sentimento que a palavra imprime não traduz o que realmente almeja qualquer criatura. É mais cômodo não se pensar que se caminha na direção dela.
São Francisco a chamava “Irmã Morte”. Devia considerá-la com a mesma fraternidade que pregava: Irmão Sol / Irmã Lua, ou da mesma forma que falava com as aves e a própria natureza. Os seres humanos não são capazes de entender um gesto de tanta nobreza e espiritualidade! Somente uma pessoa especial, um santo, teria uma atitude tão simples para encará-la.
O Salmo diz: “O homem é semelhante ao sopro da brisa, seus dias são como a sombra que passa”.
Passa-se a vida inteira lutando para se construir um amor, elos de amizade, bens, crescimento pessoal e profissional, viver bem, atingir metas, nunca imaginando que não se vai realizar. Porque não se dá conta que o tempo vai passando e, a cada dia, subtraindo a passagem pela terra.
Muitas vezes, no auge da caminhada, ela aparece, rondando, perscrutando como a querer ceifar uma vida ainda plena e promissora. É uma realidade que ninguém quer admitir. Por isso, quando alguma criança ou jovem partem mais cedo é difícil aceitar. Pois custa até se admitir que os idosos possam fazer sua viagem definitiva, uma vez que já palmilharam uma estrada longa.
A morte ainda é um Mistério para o homem. A dimensão desse mistério envolve uma gama de indagações, contradições, dúvidas que não se sabe como discernir à luz da razão. Somente através da fé, ou da força interior de uma crença, da espiritualidade inerente à pessoa humana, se pode tentar entender com certa dificuldade.
No entanto, tem-se que compreender que ninguém está neste mundo para semente, como se diz. Essa é uma viagem que todos vão fazer, só não se sabe qual é a “parada” em que o passageiro deverá descer.
Ele, com certeza, vai descer sozinho, embora esteja acompanhado de tantos outros passageiros.
A morte é solitária... A gente nasce e morre sozinho... Não sei se estas assertivas se conjugam como verdade! De certa forma, sim, mas não na sua totalidade.
O ser humano passa a vida pensando que sua existência é infinita. Vive-se o presente, lembra-se do passado, mas para o futuro não se pensa na possibilidade da morte, pelo menos a curto ou médio prazo. Procura-se, então, não refletir sobre a finitude do homem. Não há tempo para se debruçar sobre a fugacidade da matéria, sobre os mistérios da existência.
A palavra “morte” tem carga muito pesada. Em seu bojo se esconde a perda, a tristeza, a dor, o sofrimento, enfim, tudo o que ninguém quer para si. O sentimento que a palavra imprime não traduz o que realmente almeja qualquer criatura. É mais cômodo não se pensar que se caminha na direção dela.
São Francisco a chamava “Irmã Morte”. Devia considerá-la com a mesma fraternidade que pregava: Irmão Sol / Irmã Lua, ou da mesma forma que falava com as aves e a própria natureza. Os seres humanos não são capazes de entender um gesto de tanta nobreza e espiritualidade! Somente uma pessoa especial, um santo, teria uma atitude tão simples para encará-la.
O Salmo diz: “O homem é semelhante ao sopro da brisa, seus dias são como a sombra que passa”.
Passa-se a vida inteira lutando para se construir um amor, elos de amizade, bens, crescimento pessoal e profissional, viver bem, atingir metas, nunca imaginando que não se vai realizar. Porque não se dá conta que o tempo vai passando e, a cada dia, subtraindo a passagem pela terra.
Muitas vezes, no auge da caminhada, ela aparece, rondando, perscrutando como a querer ceifar uma vida ainda plena e promissora. É uma realidade que ninguém quer admitir. Por isso, quando alguma criança ou jovem partem mais cedo é difícil aceitar. Pois custa até se admitir que os idosos possam fazer sua viagem definitiva, uma vez que já palmilharam uma estrada longa.
A morte ainda é um Mistério para o homem. A dimensão desse mistério envolve uma gama de indagações, contradições, dúvidas que não se sabe como discernir à luz da razão. Somente através da fé, ou da força interior de uma crença, da espiritualidade inerente à pessoa humana, se pode tentar entender com certa dificuldade.
No entanto, tem-se que compreender que ninguém está neste mundo para semente, como se diz. Essa é uma viagem que todos vão fazer, só não se sabe qual é a “parada” em que o passageiro deverá descer.
Ele, com certeza, vai descer sozinho, embora esteja acompanhado de tantos outros passageiros.
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